Méritos, Truques e Habilidades Populistas

Os três anos mais conturbados da vida do autarca de Gondomar, contados em 200 páginas pelo seu ex-assessor de imprensa. Uma reflexão sobre o populismo e sobre o estado da política portuguesa... um verdadeiro manual sobre como ganhar eleições em Portugal
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segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Presidenciais Americanas vs Autárquicas Portuguesas

"Sempre pensei que os partidos políticos, perante as vitórias de Valentim, Isaltino e Felgueiras, em 2005, procurassem saber mais acerca dos motivos do eleitorado. Em vez disso, têm apenas tentado encontrar formas para evitar que voltem a ser candidatos."

Esta frase está contida no livro A VARINHA MÁGICA DE VALENTIM LOUREIRO. E o que é que isto tem a ver com as eleições americanas? É que - parece-me a mim - são despropositadas a importância e a esperança que estão a ser depositadas nesta eleição. Em particular, parece-me exagerada a esperança que Obama desperta. Há mais de dois meses que as nossas notícias são monopolizadas por esta "guerra" que não é a nossa. Sim, não é a nossa, por mais que me digam que o que se passa nos Estados Unidos se reflecte no resto do Mundo. De facto, são os americanos que escolhem o seu líder e, neste caso, parece-me que até já escolheram. Então, porquê tanto frenesim? Tanta informação? Será que informamos tanto os portugueses acerca de eleições em que eles próprios terão que escolher e, logo, estar informados?

Se por um lado me apetece dizer "até que enfim, amanhã é terça-feira e o circo vai acabar", por outro, fica-me a tristeza por saber que o batalhão de jornalistas portugueses que, a esta hora, já está nos Estados Unidos regressará para mais do mesmo em Portugal.
As nossas eleições, as causas das nossas vitórias e derrotas, as legítimas idiossincrasias do nosso povo, ou o desinteresse pelo seu próprio futuro mais directo e pela sua própria política representativa continuarão sem um décimo da análise profunda que fazemos em relação ao que se passa do outro lado do mar...
Culpa dos nosso políticos e, também, da nossa fraca imprensa.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

O "corta e cose" das notícias

Sempre gostei de brincar com o photoshop (como se prova pela brincadeira que fiz no último post, colocando uma verdadeira varinha mágica na mão do major)... por isso, aqui fica mais uma montagem com as mais recentes notícias acerca do livro, publicadas em papel.
É uma espécie de "corta e cose" digital.
Conheço alguns jornalistas que se viciam nesse prazer... a que chamo, pomposamente, mimetismo, no meu livro.
Como diria o Octávio Machado: "vocês sabem do que eu estou a falar"...

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Falta de rigor: o cancro do jornalismo






Na página 87 do meu livro, escrevo o seguinte:

"O pior dos enganos não é a grosseira mentira que cai de madura em três dias, mas a falta de rigor! Esse tem sido, na minha opinião, o principal cancro do jornalismo (...)"

Esta afirmação vem a propósito de uma notícia hoje publicada na revista Focus e que motivou já um pedido meu de publicação de Direito de Resposta e Rectificação ao abrigo da Lei de Imprensa. Para melhor esclarecimento, coloco aqui a notícia da Focus e uma cópia da página 43 do meu livro sobre o mesmo assunto. Comparem o que está publicado no livro com o que me atribuem na notícia da Focus e digam-me se tenho ou não razão.

Os jornalistas/políticos, os técnicos/jornalistas e os políticos/técnicos


Um destes dias, participei num jantar debate sobre o TGV. A iniciativa pertenceu a uma associação portuense que convidou, entre outros, a Secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, o Professor Álvaro Costa, da Universidade do Porto, e o jornalista Carlos Magno.
Foi muito interessante assistir ao desenrolar da conversa, em jeito informal, que me foi dando pessoalmente argumentos para aceitar essa obra pública como boa e cuja utilidade ainda não tinha conseguido entender.
De qualquer forma, serve este exemplo para ilustrar (e aplicar a Portugal) aquilo que ontem postei acerca de Obama e McCain. Isto é, acerca do medo de errar, que é tal, que leva os políticos a inverterem a sua própria razão de existir.
Nesse jantar debate a que assisti, a Secretária de Estado Ana Paula Vitorino fez uma longa e técnica explicação acerca do TGV. Percebemos todos. Depois, veio o Professor Álvaro Costa, e fez a apologia da prioridade a Norte, para aquela obra. De seguida, um espanhol, representante do projecto espanhol do TGV na Galiza, explicou-nos o que se vai passar do lado de lá da fronteira, quanto à linha Porto-Vigo.
Finalmente, Carlos Magno, elogiou “a Ana Paula”, com quem acabara de jantar e elogiou, sobretudo, o seu discurso “engenheiral”.
Ora, eu não elogio os governantes quando eles têm discurso “engenheirais”. E não me refiro, concretamente, àquele jantar que, além de agradável, até seria um bom local para se inverterem papeis. Mas, o facto, é que em Portugal se assiste actualmente a um enorme medo de fazer política.
Aquilo a que assisti naquela noite é, afinal, muito parecido com o que tem sido a vida política portuguesa. Os políticos falam como técnicos, os técnicos são mais mediáticos que os jornalistas e os jornalistas fazem política…
De facto, a política está tão desacreditada, que nem os políticos conseguem assumir as suas próprias convicções. Para darem um passo, encomendam 20 estudos que possam sustentar o que querem fazer, sem terem que o assumir politicamente.
Gostava, por uma vez, de ver os políticos fazerem política, assumindo os erros, quando os houver, e credibilizando a sua própria existência, sem terem que se pendurar permanentemente nas opiniões dos técnicos e no aval dos jornalistas. Claro que os estudos são necessários e que a crítica jornalística pode e deve ser pertinente, mas, neste momento, a inversão de valores é total.
No meio de tudo isto, chocou-me algo que ninguém deve ter reparado. Enquanto, naquela sala, ouvíamos Carlos Magno fazer política, Álvaro Costa passar por jornalista e a “Ana Paula” fingir ser um técnico, o “nosso amigo espanhol” (como alguém a ele sse referiu), acabou por nos dizer onde passará o TGV na Galiza, quantas pontes terá, quantos túneis atravessará, qual a profundidade dos túneis, como entra nas cidades, onde serão as estações, quando estará pronto e quanto custa. Além do mais, que me lembre, foi o único orador que tratou "a Ana Paula" por "senhora Secretária de Estado"!
Voltando a concordar que, de vez em quando, faz sentido invertermos os papéis e discutirmos informalmente estas questões, na verdade, a vida política portuguesa tem sido isto. Falamos muito, ninguém assume as suas reais responsabilidades políticas com coragem e, no final, ouvimos dizer que Espanha já fez ou já está a fazer…