Méritos, Truques e Habilidades Populistas

Os três anos mais conturbados da vida do autarca de Gondomar, contados em 200 páginas pelo seu ex-assessor de imprensa. Uma reflexão sobre o populismo e sobre o estado da política portuguesa... um verdadeiro manual sobre como ganhar eleições em Portugal

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

A crónica de Luís Pedro Nunes na "Única", a acupunctura do Major e os 134 milhões que o Estado gastou em consultores

Luís Pedro Nunes escreve todas as semanas na revista Única, do Expresso, mas o seu trabalho como director do jornal humorístico "Inimigo Público" (suplemento do Público) e como membro do "Eixo do Mal", emitido na SIC, é igualmente relevante.
No sábado passado, a crónica que assina na Única tinha como título "As massagens do Major e da AIG" numa curiosa alusão ao valor relativo das coisas. Conta, por isso, parte de um dos episódios que escrevo no meu livro, dando a conhecer uma conversa que Valentim Loureiro teve com um técnico de acupunctura, pouco antes de uma conferência de imprensa. O Major tinha acabado de ser sujeito a uma sessão terapêutica e, quando ia pagar, deu uma lição de marketing comercial ao rapaz que lhe tinha espetado as pequenas agulhas.
Luís Pedro Nunes usa esse exemplo para mostra como é relativo e, por vezes, enganador o preço e o valor das coisas, lembrando os custos que administradores da seguradora AIG terão tido na sequência de festas ou reuniões de interesse duvidoso, pelo menos, para o comum dos mortais.
Na verdade, o Luís Pedro tem razão e a comparação nem é disparatada. Por vezes, ouvimos falar de certos custos que o próprio Estado tem e nem sempre entendemos a sua real dimensão. É que, quando a conta passa para o lado dos "milhões", nós (a classe média), deixamos de saber o que é muito ou pouco. Gastar 15 milhões ou 150 milhões num estudo de consultadoria que o Governo encomendou para a construção de uma coisa como um aeroporto, é, para nós, igual.
Se falarmos de uma refeição ou de um custo com um hotel, conseguimos perceber que há diferença entre 50 euros ou 500 euros, mas a nossa percepção da dimensão dos custos termina quando saltamos a casa dos seis dígitos.
E disso se valem, muitas vezes, os políticos, governantes e empresários. Valem-se da falta de termo de comparação e da natural falta de percepção que o cidadão normal tem quando se fala de verbas que não estão dentro daquilo que é o seu próprio universo de gastos.
No meu livro, conto os bastidores de uma conferência de imprensa que Valentim Loureiro deu a propósito dos cartões de crédito da Metro do Porto. E esse é, agora, um bom exemplo. Num relatório do Tribunal de Contas onde se criticava quase tudo, em 700 páginas, e onde se punham em causa gastos no valor de milhões de euros em obras da empresa que era presidida por Valentim Loureiro, aquilo que a opinião pública reteve com maior facilidade, foi o plafond de 750 euros que os administradores teriam num cartão de crédito. Essa foi a notícia, e foi isso que foi posto em causa. E porque? Porque esse era o ponto de contacto dos cidadãos com a realidade.
De resto, as notícias de gastos de milhões passam, normalmente ao lado da opinião pública, que nem faz o menor esforço para avaliar a sua utilidade. No entanto, o ordenado do Direcor-Geral das Finanças já é capaz de escandalizar muita gente.
Vem isto a propósito do recente relatório do Tribunal de Contas que indica que o Estado terá gasto, desde 2004, 134,4 milhões de euros em consultores, quase sempre sem concurso, sem obedecer a regras de contratação e sem haver, sequer, consulta ao mercado.
Quantas pessoas, dois dias depois, ainda se lembrarão desta história? E do valor? E do seu significado? Quase nenhumas!
No entanto, se a notícia fosse que José Sócrates tinha comprado uns sapatos por 400 euros e o Governo os tivesse pago... daqui a 10 anos, ainda nos lembraríamos disso, como todos ainda recordam a rábula do "Gato Fedorento" a desfraldar uma tira de cartões de crédito de Valentim Loureiro.

Na verdade, o político "mais inteligente" não é o que compra os sapatos, mas o que os dá a comprar aos outros e, de preferência, em quantidade suficiente que obrigue o valor a subir acima dos milhões, para ninguém perceber.
Sobre a notícia dos gastos de 134,4 milhões de euros com os consultores apenas gostaria de perguntar o seguinte: mas então, além do relatório do Tribunal de Contas e da notícia que já todos quase apagámos da memória, o Ministério Público não investiga? Quem foram os consultores? Que ligações tinham a quem lhes adjudicou os serviços? Porque adjudicou? QUEM adjudicou?
Por mais que se condene Valentim Loureiro em muitos dos seus actos (e eu não sou nem Juiz nem sua testemunha de defesa em nenhum processo), a verdade é que a única condenação de que o Major foi alvo pela Justiça no exercício de funções políticas, foi a de ter adjudicado, sem concurso, a produção de uma revista por 19 mil euros! Disse o Juiz, que a adjudicou a um amigo, favorecendo-o, apesar de ter regateado o preço que inicialmente era mais elevado.
Certamente, Valentim Loureiro até foi bem condenado nesse processo e não sou eu quem saberá contestar a bondade da decisão judicial! Mas, então, e os 134,4 milhões de euros que o Estado gastou… sem poder gastar? Não haverá, pelo meio dessas contratações astronómicas, sem concurso, indícios de favorecimento a alguém? Ou seja, ninguém suspeita aqui de crimes de prevaricação? Estará o Ministério Público a investigar? Há notícia disso?
Naaa! Haveria se José Sócrates tivesse comprado os tais sapatos… ou se fosse uma revista em Gondomar... Felgueiras, Oeiras... ou coisa assim, pequena!

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Direito de Resposta

Na sequência DISTO, a Focus publicou ontem isto:








Como facilmente se percebe (e eu previa)... a publicação desta nota na página das "cartas do leitor" não respeita a Lei de Imprensa. Ou alguém poderá pensar que o destaque deste texto é equivalente ao da notícia que o originou?

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Major falou sobre o livro na TVI


Júlia Pinheiro entrevistou esta tarde, na TVI, o autor e o protagonista do livro, A VARINHA MÁGICA DE VALENTIM LOUREIRO. Começando a entrevista apenas com o ex-assessor do Major, a apresentadora e jornalista da TVI acabou por chamar o Major, que comentou pela primeira vez o livro. Entre o muito que disse no programa "As Tardes da Júlia", o presidente da Câmara de Gondomar acabou por reconhecer que o livro representa bem aquilo que ele é e, sobretudo, quais os seus truques para conquistar o eleitorado.
Uma das afirmações mais interessantes foi quando Valentim Loureiro reconheceu que, muitas vezes, o seu "perdão" a quem supostamente lhe faz mal... não é do coração, mas é puramente estratégico! Conforme, aliás, o autor sustenta no seu livro.
Júlia Pinheiro acabou por explorar alguns dos episódios relatados por Nuno Nogueira Santos na obra editada pela Prime Books, entre os quais, um passeio de MINI Cooper em Gondomar, as missas durante as sardinhadas, os jantares e almoços com idosos e os voos de avião dos alunos a Lisboa.
Ponto alto foi a descrição de uma sessão de acupunctura a que Valentim Loureiro se sujeitou... antes de uma conferência de imprensa que deu na sede do seu adversário (!!!) em plena campanha eleitoral.
Sem desmentir nenhum dos factos relatados no livro (mesmo os mais controversos e negativos para si), Valentim Loureiro assumiu-se "imune às balas"!

A "VARINHA MÁGICA" NA TVI


Hoje, pelas 16 horas, vou estar na TVI para falar do livro. Será um boa oportunidade para explicar as minhas motivações, um dia antes da apresentação na Bertrand do Parque Nascente, em Gondomar.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Apresentação em Gondomar - Quinta-feira, dia 30 de Outubro, pelas 21,30 horas na Bertrand do C.C. Parque Nascente

O livro "A Varinha Mágica de Valentim Loureiro" vai ser apresentado na próxima quinta-feira, dia 30 de Outubro, pelas 21,30 horas, na Livraria Bertrand no piso superior do Centro Comercial Parque Nascente, em Gondomar. Será a segunda apresentação do livro editado pela Prime Books, depois do lançamento oficial, destinado à imprensa, e que decorreu no Porto. Valentim Loureiro também está convidado.
A apresentação é aberta a toda a gente que a ela queira assistir.

Como fui constituído arguido pelo MP... ou as "amplas liberdades" de um comunista!

Tirar uma fotografia a uma manifestação da CDU pode ser perigoso? Talvez não! Mas por vezes pergunto-me sobre se Portugal é realmente livre. Se há muitos motivos para pensarmos que sim, há também alguns que nos podem levar a acharmos que não. Ainda assim - do mal, o menos - é um país onde a liberdade de expressão vai tendo o seu espaço. É sempre possível escrevermos um livro, fazermos um blog ou mesmo darmos uns gritos, sem que nada de muito mau nos possa acontecer. Não é que os viciados na repressão não tentem encontrar formas de intimidar os outros. Mas... vai-se conseguindo ultrapassar isso, com calma e com coragem!
No livro que escrevi - A VARINHA MÁGICA DE VALENTIM LOUREIRO - conto um episódio que se passou comigo.
Inacreditavelmente, 34 anos após a Revolução dos Cravos, fui constituído arguido pelo Ministério Público, que assim me manteve (com Termo de Identidade e Residência) durante um ano exacto! E porquê?
Por ter tirado um fotografia a uma manifestação!!!
Na verdade, o mais incrível dessa história, é ter sido constituído arguido porque um "destacado dirigente do PCP" apresentou queixa contra mim, usando e abusando da sobrecarregada máquina da Justiça para me tentar intimidar.
Apesar de me ter conseguido sujeitar a essa condição e a um interrogatória judicial, a verdade é que falhou nessa sua pretensão!
A história completa conto-a no meu livro, fazendo questão de publicar a controversa fotografia que ofendeu um comunista convicto... das "amplas liberdades"!
PS. como escrevo no livro, e para que fique claro, nada tenho contra o PCP ou os seus dirigentes. Sempre convivi bem com familiares, amigos e colegas de esquerda e até com dirigentes comunistas, enquanto fui jornalista. A história que conto é apenas, e só, um episódio caricato que pretende ilustrar a forma como funciona a Justiça, a cabeça de alguns dirigentes partidários e a forma como Valentim Loureiro enfrenta situações adversas.

sábado, 25 de outubro de 2008

Mais um pedaço do meu livro que deixo cair para a blogosfera...

(...) Mas o Major não resistia e foi apelidando Marques Mendes de quase tudo. Uma vez, aos microfones da SIC chamou-lhe terminação, outra pequeno líder, frequentemente dizia que o líder do PSD não tinha estatura para o cargo. Confesso que este tipo de linguagem me incomodava um pouco, por formação. Mas também digo, com a mesma frontalidade, que havia um pormenor a que achava muita piada. É que Valentim Loureiro não é maior do que Marques Mendes! Esse facto nunca foi contestado, curiosamente, nem houve muita gente a dar conta disso! Apenas uma jornalista, um dia, me telefonou a perguntar a altura do Major porque queria compará-la à de Marques Mendes. Como não sabia a do líder do PSD, calculei a do Major e somei-lhe 5 centímetros. Não me recordo de tal peça ser publicada!
Só recentemente li num blog que entre Luís Filipe Menezes e Marques Mendes haveria apenas 2,5 cm de diferença. Mesmo desconfiando da precisão da medição, admito que sim, que nenhum dos três se destaque pela estatura física. (...)

Apresentação em Gondomar


Depois do lançamento oficial destinado fundamentalmente à comunicação social e que decorreu na Livraria Bertrand de Júlio Dinis, no Porto, o livro A VARINHA MÁGICA DE VALENTIM LOUREIRO será apresentado em Gondomar. Esta segunda apresentação destina-se a todos os gondomarenses que queiram conhecer melhor o livro e contactar de perto com o autor. O local e a hora serão divulgados brevemente, aqui no blog. Se quiser receber um convite via e-mail, envie-nos o seu contacto electrónico para AQUI, manifestando esse desejo.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

O "corta e cose" das notícias

Sempre gostei de brincar com o photoshop (como se prova pela brincadeira que fiz no último post, colocando uma verdadeira varinha mágica na mão do major)... por isso, aqui fica mais uma montagem com as mais recentes notícias acerca do livro, publicadas em papel.
É uma espécie de "corta e cose" digital.
Conheço alguns jornalistas que se viciam nesse prazer... a que chamo, pomposamente, mimetismo, no meu livro.
Como diria o Octávio Machado: "vocês sabem do que eu estou a falar"...

A prova que faltava e o Prefácio de Jorge Morgado


Ainda não me tinha referido neste blog ao prefácio do livro A Varinha Mágica de Valentim Loureiro. Pedi ao meu amigo Jorge Morgado que o escrevesse, tanto mais que ele foi o primeiro jornalista a relatar a entrega de electrodomésticos por Valentim Loureiro em Gondomar (que o livro explica em pormenor). O actual director de comunicação da Metro do Porto, em muito menos páginas do que eu, resume de forma brilhante a personalidade do Major. Aqui fica um pequeno excerto e uma foto ilustrativa publicada apenas aqui no blog (obviamente, é uma montagem).

"Eu terei sido das primeiras pessoas a ver Valentim Loureiro distribuir electrodomésticos. E, enquanto jornalista, fui seguramente o primeiro a relatar aquela prática, que viria a tornar-se imagem de marca do Major. Longe estaria sequer de supor que, mais tarde e durante anos a fio, teria que conviver frequentemente com essa história e habituar-me a explicá-la com regularidade."
(...)
"O excesso de exposição mediática – que conduziu a uma saturação perfeitamente escusada –, e um incontornável défice de contenção verbal levaram o Major a envolver-se (a vontade de participar foi sempre um dos seus ímpetos mais dificilmente moderáveis), em polémicas que nem sempre o favoreceram. Lembro-me, por exemplo, do Mundial de Futebol de 2002 e da sua apaixonada defesa da agressão de João Vieira Pinto a um árbitro. Foi, que me recorde, o único português a fazê-lo, defendendo o jogador durante semanas a fio, contra tudo o que ditaria o politicamente correcto e a moderação, dois argumentos que nunca o preocuparam demasiado."
(...)